Sobre este blog

Imagine dar o endereço para alguém e ter que falar que mora na rua Valdete e todo mundo achar que faltou um pedaço do nome. Ou dizer que mora na “Sem História, Sem Destino”, “Lajes Pintadas” ou “Navio Perdido” e o seu interlocutor não disfarçar o riso.

Pois é, em São Paulo isso é uma situação até comum – tanto que me deu a ideia deste blog, que ganhou corpo quando trabalhei numa campanha eleitoral e visitei, tanto virtualmente (com o Street View) quanto ao vivo, com o candidato, muitas ruas paulistanas em boa parte dos seus 96 distritos – até no escondido Marsilac eu fui.

E, em meio à “selva de pedra” paulistana, algo que chama a atenção, sem dúvida, é a implícita trollagem aos moradores dada pela própria Prefeitura, que parece ter escolhido nomes especialmente estranhos para ruas espalhadas por toda a cidade, como os que citei no começo do post (e que você verá bastante por aqui). Como não esquecer das “Borboletas Psicodélicas”, que sempre sai nas matérias que abordam este tema?

A culpa, em boa parte, é de uma instituição que, ao que eu saiba, só existe em São Paulo: o Banco de Nomes, ligado à Secretaria de Habitação, que desde 1978 cadastra os nomes mais estranhos possíveis para batizar os logradouros paulistanos. Ok, nem todos são muuito estranhos, como você pode ver nos posts mais antigos do blog, mas são, no mínimo, curiosos.

E ainda hoje, quase 40 anos depois, o Banco continua existindo e sendo constantemente alimentado. Só entre 2014 e 2015, já surgiram a Via de Pedestre Sempre Alerta, a Travessa Alecrim Dourado e a Rua Solo de Clarineta, e isso sem procurar muito…

 

Que rua é hoje? – dezembro

Vocês, meus 17 leitores do blog, devem ter sentido minha falta. Afinal, já houve tempos em que eu atualizava este espaço semanalmente, assim como a página do Facebook. E não é que faltam ruas bizarras para mostrar: é só o blogueiro que nem sempre está inspirado (ou com tempo) para postar. Afinal, cada texto que você lê aqui dá trabalho pra fazer, como diz Marcelão.

Aliás, já boto EXCLUSIVO para o tema de hoje: as ruas de dezembro, o mês que já chegou chegando para mandar 2013 para a vala (amém!).

Diz a Prefeitura que existe uma rua 1 de dezembro, mas a informação não procede. Por isso, a primeira é essa aqui:

Uma ruinha de apenas uma quadra ao lado da Radial (nesta altura, José Pinheiro Borges), em Itaquera.

Uma ruinha de apenas uma quadra ao lado da Radial (nesta altura, José Pinheiro Borges), em Itaquera.

A explicação oficial é que o 2 de dezembro é o dia do migrante – nomenclatura até que adequada para uma das regiões que mais recebeu migrantes nordestinos na cidade. Entre outras coisas que aconteceram em 2 de dezembros, dá pra lembrar também da eleição de Abraham Lincoln em 1860 e a Lei da Anistia, em 1979. Tá certo.

No centro, entre a Boa Vista e a 15 de novembro.

No centro, entre a Boa Vista e a 15 de Novembro. Ao fundo, uma casa lotérica.

A localização já dá a dica de que deve ser uma data histórica. E é mesmo: alude ao dia 3 de dezembro de 1870, quando Quintino Bocaiúva lançou o primeiro “manifesto republicano” brasileiro, iniciando um lobby que enfim levou à proclamação (bem, meio ao estilo coup-d’etat), 19 anos depois. Exatos 124 anos depois, outro 3 de dezembro entraria para a história, com o lançamento, pela Sony, do primeiro Playstationno ano da graça de 1994.

Na Vila Formosa, perto da avenida Aguiar da Beira (ZL)

Na Vila Formosa, perto da avenida Aguiar da Beira (ZL)

Tá difícil de ver mas é 4 de dezembro, que vem a ser, por incrível que pareça, uma homenagem ao Dia da Propaganda, comemorado na data. A homenagem aos criativos veio de um job interessante: a criação, em 1936, da primeira associação de agências da América Latina, a Asociación de Jefes de La Propaganda, na Argentina. Não sabia? Agora sabe. No mesmo dia, o simpático e doce Emílio Garrastazu Médici (que ainda não era general) assoprava 31 velinhas.

Na "Vila Calendário", lá na Cachoeirinha (zona norte)

Na “Vila Calendário”, lá na Cachoeirinha (zona norte), entre a 22 de Agosto e a 28 de Janeiro. 

Já falei desse bairro, cujo loteador resolveu olhar as datas mais bonitas no calendário e jogou nas ruas – e a origem oficial se perdeu no tempo. Será que o 7 de dezembro era o de 1941, quando os japoneses atacaram Pearl Harbor, na II Guerra? Ou ainda a promulgação do Código Penal, em 1940 (incrivelmente ainda em vigor)? Mistérios…

Não esses

Não esses

Próxima…

Em Itaquera também, paralela à Jacu Pêssego

Em Itaquera também, paralela à Jacu Pêssego

Diz a Prefeitura que o 8 de dezembro da rua é o Dia da Justiça – data criada em 1951 pelo então presidente Vargas, aludindo a algo que não sei explicar. Além disso, o dia é feriado em dezenas de cidades brasileiras, em homenagem à Nossa Senhora da Conceição. E mais: deve ter sido o dia em que mais cidades paulistas foram fundadas. Olha só: Birigui, Diadema, Dracena, Guararapes, Guarulhos, Indaiatuba, Jandira, Mauá, Mendonça, Rancharia e Votorantim. Parabéns.

Na Vila Borges, uma travessa da Engenheiro Heitor Eiras Garcia (Butantã)

Na Vila Borges, uma travessa da Engenheiro Heitor Eiras Garcia (Butantã)

Essa não podia estar em outro lugar: afinal, desde 1975, graças ao nobre ex-vereador Brasil Vita, todo dia 16 de dezembro é Dia do Butantã. A explicação para que o dia do Butantã fosse este e não o, sei lá, 26 de agosto ou 31 de janeiro, ele ficou devendo no projeto da lei, promulgada no próprio dia 16/12 daquele ano. Parabéns antecipados, Butantã.

É mais uma da "vila calendário" da Cachoeirinha.

É mais uma da “vila calendário” da Cachoeirinha.

A 19 de dezembro é uma das mais curtas – liga a 10 de Maio à 9 de Novembro. E, como todas as outras, não tem explicação. Espero só que não seja o 19 de dezembro de 1941, quando Adolf Hitler se tornou o supremo comandante do império alemão. Pelo menos já sabemos que não é o dia 19 de dezembro de 1995, quando o PSTU foi registrado em definitivo – podia ter sido três dias antes, num 16. Afinal, contra burguês…

Em Santana, entre a Luís Dumont Villares e a Ataliba Leonel.

Em Santana, entre a Luís Dumont Villares e a Ataliba Leonel.

A Prefeitura não sabe explicar a razão do 24 de dezembroque provavelmente se relaciona com o loteador do bairro, já que as duas paralelas de baixo são a 25 de Fevereiro e a 7 de Novembro. E duvido que tenha algo a ver com a festa cristã, do velho e do novo…

Então é Natal

Então é Natal

Além da véspera natalina, também é o dia do Órfão. Você sabia? Agora sabe!

E chegamos à última, ou melhor, às últimas:

Em Heliópolis

Em Heliópolis

As ruas da comunidade de Heliópolis, na zona sul, também foram batizadas pelos moradores (senão imagina o que viria do Banco de Nomes…). Mas eles não explicaram o que aconteceu no dia 29 de dezembro pra ter virado rua. Será que queriam homenagear o dia da fundação do Nepal? Ou a inauguração do metrô de Lisboa? Você jamais saberá, querida.

E chega!

Se eu abandonar o blog por mais um mês (o que não pretendo), feliz ano novo antecipado!

o/

 

Que rua é hoje? – novembro

Nem dá para acreditar, mas o ano entra na sua penúltima fase, os panetones já estão à venda e as tenebrosas decorações de natal já soltas por aí. E, claro, as ruas de novembro (que nem são muitas):

No meio do Jabaquara.

No meio do Jabaquara.

Como todo mundo sabe, não é por outro motivo senão o dia de finados. E a ideia dele cair no dia 2 de novembro, para variar, vem da Igreja Católica. A ICAR, oficialmente, chama o dia de finados de “dia dos fiéis defuntos“. Alguns fieis defuntos famosos deste dia são o cineasta Pasolini, barbaramente assassinado por um michê em 2 de novembro de 1975, mesmo destino que teve o colega holandês Theo Van Gogh em 2004, vitimado por um fanático islâmico.

Uma travessa da Luís Dumont Villares, no Tucuruvi, zona norte.

Uma travessa da Luís Dumont Villares, no Tucuruvi, zona norte.

Já a 7 de novembro “homenageia” a primeira lei que tentava proibir o tráfico de escravos no Brasil, assinada pelo regente Feijó em 7 de novembro de 1831. A verdade é que essa lei era, literalmente, só para inglês ver, já que o nosso Império devia até as calças para os “parceiros” britânicos, que exigiam o fim do tráfico (e da escravidão). O “intercâmbio escravocrata” seria realmente proibido em 1850, com a Eusébio de Queirós, como explica este artigo aqui. Num mesmo dia 7 de novembro, mas de 1910, os irmãos Wright levantaram voo pela primeira vez – e os americanos juram que eles (e só eles) foram os primeiros.

No Jabaquara

No Jabaquara.

Esta aprazível ruinha sem saída alude ao dia do urbanismocomemorado em 8 de novembro. A data foi instituída em 1949 pela então recém-criada ONU, e teria “o objectivo de promover a consciência, a sustentação, a promoção e a integração entre a comunidade e o Urbanismo“, segundo a Wikipedia. Em um 8 de novembro, também, foram descobertos os raios Xpelo físico alemão Wilhelm Roentgen, em 1895. Já num dia 8/11 de 1975, seria lançado o quarto disco do Led Zeppelin. Que bom.

Zona norte.

Travessa da avenida Parada Pinto, na Cachoeirinha, zona norte.

A rua 9 de novembro faz parte de uma certa “vila calendário”, já que suas vizinhas figuraram em quase todos os posts anteriores desta série. E, como todas as outras, não carrega uma explicação do seu batismo, a não ser o fato de ter sido pela lei 6350, promulgada em 18/06/1963. Então, pode ser que a rua homenageie a criação da Brazil Railway Company, em 1917, ou ainda o golpe do 18 Brumário de Napoleão Bonaparte, em 1799. Ou, talvez, o niver da atriz Eva Todor, nascida em 1919.

No centro, claro.

No centro, claro.

É evidente que você sabe que o dia 15 de novembro não é outro senão o dia da Proclamação da República, em 1889, homenagem compartilhada com pelo menos 394 outras ruas do país, segundo este levantamento. É o quadragésimo nome mais comum (o primeiro é “dois”, com 1534 ocorrências). Mas a rua do Centro, famosa pelos bancos, é bem mais antiga que a República. Surgiu ainda na época da fundação da cidade, no século 16, quando servia de ligação entre o Pátio do Colégio e o Largo de São Bento (aliás, ainda serve, rsrrsrsrs). No século seguinte, passou a ser a Rua do Rosário, aludindo à Igreja (cuja última reconstrução foi feita em 1906, no Largo do Paissandu). Na época, também era conhecida como Rua do Manuel Paes Linhares, justamente porque era nela que o bandeirante Manuel Paes Linhares morava, ora pois. No século 19, passou a ser a Rua da Imperatriz, que, como o Império, foi enxotada com a República. Como boa cidade, a então Santo Amaro também tinha sua XV de novembro. E ela, assim como tantas outras, ganhou um nominho pra lá de chinfrim no final da década de 70, com o advento do Banco de Nomes, passando a homenagear uma escola literária, veja só. É a…

Pois é.

Pois é.

Dias depois…

Na quebrada do Conjunto da Paz, no Itaim Paulista (ZL).

Na quebrada do Conjunto da Paz, no Itaim Paulista (ZL).

Como é feriado, você sabe que o 20 de novembro é o dia da consciência negra, em memória à morte do famoso Zumbi dos Palmares, em 1695. Não tem erro. Aliás, a própria consciência também tem rua:

No outro extremo, no Capão Redondo, ZS.

No outro extremo, no Capão Redondo, ZS.

Calma, ainda tem mais… mas depois atualizo🙂

Que rua é hoje? – outubro

Bem-vindos a outubro:

No Ipiranga, pertinho da Ricardo Jafet

No Ipiranga, pertinho da Ricardo Jafet.

A aprazível pracinha 1 de outubro homenageia, segundo a Prefeitura, o “dia do viajante comercial”. Talvez não seja por acaso que uma das ruas próximas à 01/10 seja justamente a…

Lá, quando dá 4:20, o povo fica todo viajandão #legalize

Lá, quando dá 4:20, o povo fica todo viajandão #legalize

Além dos viajantes comerciais (que podem ser até os de Telexfree Herbalife, dentro do Marketing Multinível™), o dia 01/10 também é o dia mundial do vegetarianismo, veja só.

Dois dias depois…

No Limão, zona norte.

No Limão, zona norte.

Essa praça, na verdade uma calçada arborizada da rua Salvador Ligabue, de acordo com a Prefeitura, homenageia o dia das eleições presidenciais. Mas, como você deve ter reparado nos últimos anos, as eleições em geral sempre têm ocorrido no primeiro domingo de outubro, que pode cair entre os dias 1 e 7. Mas, até elas serem gentilmente interrompidas pela ditadura militar, as eleições diretas presidenciais realmente tinham esta data como fixa – a partir da constituição de 1946. Então, Getúlio Vargas (em 1950), JK (em 1955), e Jânio Quadros em 1960, foram mesmo eleitos em dias 3 de outubroO dia também marca a morte de duas sumidades religiosas (pelo menos para seus devotos): o criador da umbanda Zélio de Morais (em 1975). E o fundador da bizarríssima Tradição Família e Propriedade, e, segundo certos devotos, dotado de poderes sobrenaturais, o sr. Plínio Correa de Oliveira, em 1995 – cujo túmulo, no cemitério da Consolação, até hoje atrai os tradicionais estandartes medievais da comunidade e os honrados homens de bem que dão sua vida pela luta contra o cOmUnIsMo.

No Jabaquara, zona sul

No Jabaquara, zona sul

A 5 de outubro é uma rua até grandinha no coração do Jabaquara. Mas sobre ela, a única informação que a Prefeitura dá é que foi denominada pelo decreto nº 15.784 de 04/04/1979. Prefiro considerar que o dia homenageado é o 05/10 de 1969, quando estreou o Monty Python na TV britânica. Ou ainda a proclamação da República… de Portugal, que aconteceu 21 anos depois da nossa, em 05/10/1910.

No Tatuapé, ZL

No Tatuapé, ZL

A 7 de outubro, travessa da Serra de Botucatu, “no coração do Tatuapé”não tem explicação para o nome.  Espero que não seja uma homenagem ao Manifesto de Outubro, quando os integralistas ~botaram para quebrar~ lançando seu manifesto, em 1932. Sorte que só dois anos depois, os galinhas-verdes foram literalmente postos para correr. Mas sabendo que a nossa querida cidade tem ruas como a Plínio Salgado, é capaz que tenha algo a ver com a primeira data.

Na Lapa

Na Lapa

A maior artéria da Lapa, que concentra boa parte do comércio do bairro (e o Mercado), foi uma grande fornecedora de roupas na minha primeira infância, em lojas como a Pelicano. Mas qual dos 12 de outubro que a rua homenageia? Segundo a Prefeitura, o mais antigo deles: a descoberta da América, por Cristóvão Colombo, em 12 de outubro de 1492. Mas, além disso, também é o dia de Nossa Senhora Aparecida e o das crianças, como se sabe.

Em Artur Alvim, ZL

Em Artur Alvim, ZL

Um dos caminhos para se adentrar a “comunidade” do Cambalacho (sim, o nome é por causa da novela) é a rua 14 de outubroo qual (adivinhe) a Prefeitura não sabe explicar. Hipóteses: a fundação da CNBB, em 1952, ou ainda o Nobel de Martin Luther King, em 1964, quatro anos antes da sua morte.

No Tatuapé

Na Vila Carrão, ZL

A praça 15 de outubro marca a confluência da avenida Conselheiro Carrão com as ruas ManilhaAstarté, Taubaté e a 19 de Janeiro. Baita encruzilhada, perfeita para os macumbeiros de plantão. E que, claro, homenageia aquele dia em que você fingia que era legal e dava a maçã que não fora comida na hora do lanche ao seu querido professor. A data, que só é comemorada neste dia aqui no Brasil, é uma homenagem à santa Teresa D’Ávila, padroeira dos professores – e que, por sua vez, inspirou D. Pedro I a regulamentar a abnegada profissão, no dia 15 de outubro de 1827. Dia 15 de outubro também é, acredite, o dia mundial da lavagem das mãos.

Em Interlagos, zona sul

Em Interlagos, zona sul

Na frente do shopping Interlagos, como a velha plaquetinha explicativa diz, a rua 17 de outubro homenageia o tal dia do securitárioOu seja, os corretores de seguros, vendedores de seguros, etc, etc. Merece até uma vinheta, a que eu mais gostei do Pânico em todos os 10 anos de programa:

No Jardim Maria Estela, zona sul

No Jardim Maria Estela, zona sul

Quase em São Bernardo, às margens da Anchieta, está a 18 de outubro. Segundo a Prefeitura, é porque na data se comemora o dia do médico. Para variar, os doutores ganharam o dia por causa do santo padroeiro, São LucasJá em 18 de outubro de 1968, John Lennon e Yoko Ono foram presos por porte de drogas. Maior vacilo.

Na Vila Sônia, zona oeste

Na Vila Sônia, zona oeste

Na Vila Sônia, entre as avenidas Eliseu de Almeida Francisco Morato, está a 23 de outubroque homenageia o dia do aviador. Afinal, foi no dia 23 de outubro de 1906 que Santos Dumont sobrevoou o Campo de Bagatelle, em Paris.

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Não é por acaso que eles estão juntos, em Santana

O avião? Você conhece bem:

No meio (e embaixo) da 9 de Julho.

No meio (e embaixo) da 9 de Julho.

Nada como um dia após o outro:

No Ipiranga

No Ipiranga.

O dia 24 de outubro ser rua em São Paulo ajuda a calar um pouco a boca daqueles que dizem “ah, São Paulo é o único lugar onde não há rua com nome do Getúlio Vargas, só aqui os trabalhistas não são reconhecidos, etc etc”. Ok, além disso não ser verdade…

Ok, a rua fica em Perus, perto do nada e de lugar nenhum, mas existe

Ok, a rua fica em Perus, perto do nada e de lugar nenhum, mas existe.

… o dia 24 de outubro de 1930 marcou o fim da revolução de 1930, que enxotou Washington Luiz do poder e alçou Vargas à presidência. Os paulistas, como se sabem, não deixariam barato e logo se meteriam na ~revolução~ de 1932, que rendeu várias avenidas e ruas datadas, como a 9 de Julho e a 23 de Maio

No Tremembé, perto do Horto Florestal.

No Parque Casa de Pedra, perto do Horto Florestal.

Diz a Prefeitura que 25 de outubro é “dia da Democracia”. A origem da data não podia ser mais controversa: uns dizem que é alusiva à “”””eleição “”” de Emílio Médici à presidência, em 1969, depois da morte de Costa e Silva e da junta militar. Outros dizem que o 25/10 é o de seis anos depois, em 1975, quando o jornalista Wladimir Herzog foi “suicidado” nas dependências do DOI-Codi, fato que acelerou a “abertura” do regime militar (que, ainda assim, duraria mais 10 anos). Segundo consta, os moradores da 25 de outubro não gostavam tanto assim do nome – tanto que o então vereador (e apresentador de tv) Dárcio Arruda apresentou um abaixo-assinado dos moradores para dar o nome de um padre do bairro à 25/10. Mas não deu certo – e o tal padre até hoje não dá nome a nenhum logradouro.

outubro26

No Jardim Nazaré, quebrada da Vila Curuçá (ZL).

A travessa 26 de outubro é a “caçulinha” da lista: só foi oficializada em 2011. Mas engana-se quem pensa que há alguma explicação. O chute é o dia do músico, comemorado nesta data.

Em Heliópolis

Em Heliópolis, no Sacomã.

Segundo a Prefeitura, há duas ruas 28 de outubro: essa aí de cima, na comunidade de Heliópolis, cujo nome foi escolhido pelos moradores e deve ter alguma explicação deles, e outra, no Tatuapé, que homenagearia o dia do funcionário público. A ironia é que essa última foi privatizada: é fechada com portão nas duas pontas e, aparentemente, é um estacionamento. Tá certo então.

Na Vila Matilde, ZL.

Na Vila Matilde, ZL.

Que lindo: o dia 29 de outubro desta longa rua da ZL seria o Dia do Livro, em homenagem à data em que a Real Biblioteca Portuguesa foi trazida para o Brasil, em 1810. Neste dia, em 4004 a.C, segundo um alucinado monge do século 15, Deus teria terminado de criar o mundo. E, como você sabe, levou seis dias. Logo, começou lá no dia 23/10. Tá certo (2).

Na Capela do Socorro, zona sul.

Na Capela do Socorro, zona sul.

Para a prefeitura, o 30 de outubro desta travessa sem saída da avenida do Rio Bonito é o dia do comerciário – que, por sua vez, alude a uma grande manifestação dos comerciários por melhores condições de trabalho, no Rio de Janeiro. Só que não foi no dia 30, mas no dia 29 de outubro de 1932. Porém, ficou o 30 porque foi nesse dia que o então presidente Getúlio Vargas, para fazer uma média, aceitou as reivindicações da categoria em forma de lei, impondo rotina de oito horas diárias e descanso aos domingos. Veja só.

No Mandaqui, ZN

No Mandaqui, ZN

O dia 31 de outubro virou dia das bruxas na Inglaterra porque coincidia com o ano-novo celta, “pagão”. Vai saber se não é a origem do 31 de outubro da rua, já que a Prefeitura não sabe explicar. Outra explicação mais plausível é que o 31/10 é o dia mundial da Reforma Protestante. Ou ainda, a independência da Hungria, em 31/10 de 1918.

Acabou? Não! Ainda tem ela, a…

No Grajaú, zona sul.

No Grajaú, zona sul. 1DASUL procês.

Nossa Musa de Outubro, que vem a ser um poema de Carlos Drummond de Andrade. A quebrada do extremo sul onde fica a Musa é especialmente literária. Lá perto, além do Luar de Lágrimas (que é um poema de Cruz e Sousa), temos as ruas do Eterno e do Desfile. 

Chega. Até a próxima!

Que rua é hoje? – setembro

Nunca houve mês tão urbano quanto este que começa, setembro. São quase 30 logradouros diferentes com setembro no nome. Mas isso não significa que seja uma rua por dia, não. Você vai ver:

Na Vila Prudente, quase em São Caetano.

Na Vila Prudente, quase em São Caetano.

E já começamos bem, já que a Prefeitura não sabe explicar o porquê do dia 3 de setembro da praça. Palpites: a independência do Quatar, em 1971, ou outra bem possível dado o histórico da nossa querida ZL: o aniversário de Paulo Maluf, nascido em 3 de setembro de 1931.

Em Pirituba, zona norte.

Em Pirituba, zona norte.

Essa aprazível pracinha na avenida Comendador Feiz Zarzur, em Pirituba, não tem também explicação oficial. Pode ser que o 4 de setembro tenha razão histórica: em 476, deu-se oficialmente a queda do império romano. Já em 1947, o glorioso país africano Burkina Faso foi fundado, então chamado de Alto Volta. E, em 1998, dois nerds americanos fundavam um certo site de pesquisa, não sei se vocês conhecem.

setembro07

No centrão de SP, entre a praça João Mendes e a avenida Liberdade.

Óbvio que o 7 de Setembro é mesmo o nosso Independence Day, data que é especialmente importante para os paulistanos, porque afinal, as margens plácidas do Ipiranga que ouviram o brado retumbante de Dom Pedro I, ainda que bem poluídas hoje em dia, ficam por aqui. E o próprio Pedrão, aliás, exumado recentemente. Mas o Largo em si, ali na frente do Fórum João Mendes, no Centro, tem uma história bem mais antiga: era originalmente o Largo do Pelourinhoonde os escravos eram castigados. De modo a tucanar a história desde cedo, já em 1865 (ou seja, antes mesmo do fim da escravidão), um vereador paulistano resolveu trocar o nome do Largo. Mas é claro que quase toda cidade tem também a sua 7 de Setembro (além da cidade de 7 de setembrono Rio Grande do Sul). E Santo Amaro, quando era uma cidade independente, também tinha – e o nome durou mesmo depois da anexação dela à São Paulo, em 1934. Só em 1978, quando você está careca de saber que surgiu o Banco de Nomes e tentou-se acabar com as vias de nome repetido, que a 7 de setembro santamarense virou a longa e importante…

Que você já viu aqui também que é só o nome de uma antologia de poemas portugueses.

Que você já viu aqui também que é só o nome de uma antologia de poemas portugueses.

Continuando…

Na Penha, ZL.

Na Penha, ZL.

Não há outro bairro melhor para receber a 8 de setembro que a Penha. É que é o dia em que os católicos celebram o dia da padroeira Nossa Senhora da Penha de França, que dá nome ao bairro. Aliás, a tal da Penha de França onde a santa apareceu não é a da ZL: a original é uma serra no norte da Espanha. Já a santa também tem a ver, obviamente, com a Penha carioca (de onde vem o Hélio de la Peña) e a cidade catarinense, que abriga o Beto Carrero World. O curioso do dia 8 de setembro é que como, basicamente, todas as Nossas Senhoras são a mesma Maria (mãe do filho de Deus), é também o dia de várias delas: das Brotas, de Nazaré, de Mont Serrat, da Luz (essa, padroeira de Curitiba), entre outras.

Na Vila Guilherme, zona norte.

Na Vila Guilherme, zona norte.

Essa ruinha de uma quadra na Vila Guilherme homenageia, segundo a Prefeitura, o dia da imprensa. É porque no dia 10 de setembro de 1808, poucos meses depois da fuga da família real lusitana para o Brasil, foi fundado o nosso primeiro jornal: a Gazeta do Rio de JaneiroDia 10/09 também é o dia da independência de Guiné-Bissauem 1974. Achei que você tivesse curiosidade de saber.

Também na Vila Guiherme.

Também na Vila Guiherme.

Bem pertinho da 10, temos a 12 de setembroSegundo a Prefeitura, é porque neste dia, em 1835, começou a Guerra dos FarraposSó que tem um probleminha: em todos os registros históricos consta outra data…

No Jabaquara, zona sul.

No Jabaquara, zona sul.

pois é: de acordo com todas as informações, a gloriosa Revolução Farroupilha foi deflagrada no dia 20 de setembro de 1835, que é o objeto da homenagem desta pracinha. E também de uma certa aldeia…

No Tucuruvi, zona norte.

No Tucuruvi, zona norte.

O curioso é que, segundo o mapa, a tal Aldeia 20 de setembro fica bem longe do Rio Grande do Sul, e sim no município de Comodoro, no Mato Grosso, fronteira com Rondônia e com a Bolívia. Se pá é até uma homenagem dupla, já que naquela região tem realmente muito gaúcho e, mais exatamente onde aponta o mapa (vai lá no google maps), tem muito índio. Tá certo.

Ermelino Matarazzo, ZL.

Ermelino Matarazzo, ZL.

Se você olhar o fundo da placa, já descobre o motivo: o dia 21 de setembro é nada mais, nada menos, que o dia da árvore – algo necessário na área menos arborizada da cidade. Num dia 21/09, em 1776, também rolou o Grande Incêndio de Nova Yorkque queimou quase toda a cidade, cujos prédios então eram construídos de madeira.

No Limão, zona norte

No Limão, zona norte

Segundo a Prefeitura, é simplesmente porque o dia 23 de setembro marca, normalmente, o início da primavera. Que fifonho, não? Num dia 23/09, em 1932, a Arábia Saudita declarava sua independência – exatamente 51 anos depois, São Cristóvão e Névis era admitido como estado membro da ONU. Como sempre, achei que você morria de vontade de saber…

Em Pirituba, zona norte.

Em Pirituba, zona norte.

Já a praça 25 de setembro é uma singela homenagem ao Dia do Rádio, que o é neste dia numa alusão ao aniversário do introdutor desta mídia no Brasil, o senhor Edgar Roquette Pinto, nascido em 25/09 de 1884. Roquettão, que dá nome a praça e rua em São Paulo, fazia de tudo. Foi até médico-legista.

Na comunidade de Heliópolis, zona sul

Na comunidade de Heliópolis, zona sul

Como quase todas as ruas urbanizadas da comunidade de Heliópolis, o nome foi escolhido pelos moradores e não tem nenhuma grande explicação (quer dizer, tem para eles, mas a gente não sabe). Com certeza o 27 de setembro NÃO é a fundação da TV Record, em 1953, nem o dia de Cosme e Damião.

No Ipiranga.

No Ipiranga.

Se é no Ipiranga, já pode chutar que tem a ver com algum evento histórico. E não é só um, mas dois, ainda que relacionados com o mesmo tema. É que no dia 28 de setembro de 1871 entrava em vigor a lei do ventre livre, que libertava todos os filhos de escravos que viessem a nascer a partir desta data. E, em 1885, era a vez dos sexagenários serem automaticamente alforriados. OK que o Brasil foi um dos últimos países a abolir a escravidão, mas deixa pra lá…

Com nome de dia, acabou, mas ainda tem as coisas de setembro:

Na Cidade Tiradentes, ZL.

Na Cidade Tiradentes, ZL.

A Cachoeira Sete de Setembro, segundo a prefeitura, fica na cidade de Ouro Preto do Oeste, em Rondônia. Vou acreditar nela.

No Capão Redondo.

No Capão Redondo.

setembro1983

No Capão Redondo, de novo.

Como você já deve ter visto em outros meses, essas duas travessas aí de cima são apenas parte de uma enorme série dessas quebradas do Capão Redondo relacionadas à data de legalização dos mutirões de moradia da região. Em setembro de 1981, você poderia ter assistido o Grandes Nomes com Ney Matogrosso, no dia 04e ter presenciado a eleição de Lula para a presidência do PTno dia 27. Já setembro de 1983 começou bem, com o desastrado abate de um avião de passageiros coreano, confundido com um caça espião pelos soviéticos, já no dia 1. Já no dia 26, também por mãos soviéticas, mundo poderia ter sido destruído. 

No Edu Chaves, zona norte.

No Edu Chaves, zona norte.

Uma travessinha da avenida Jardim Japão, Chuva de Setembro é daquelas adoráveis preferências do Banco de Nomes: composições musicais pra lá de obscuras. É o caso de Chuva, uma peça musical para voz e piano composta em 1973 por um certo Rui Cirne Lima.

José Bonifácio, ZL.

José Bonifácio, ZL.

Você deve estar estranhando Sol de Primavera aqui na lista. Mas só se nunca tiver ouvido a música do Beto Guedes, que já começa com setembro, e que ficou famosa na abertura da novela Marina, em 1980:

Que rua é hoje? – agosto

Muito boa tarde pro senhor, pra senhora, pro amigo, pra amiga. Como já é de costume nesse singelo blog, todo primeiro dia do mês é dia de que rua é hoje?

Uma travessa da avenida do Cursino

Uma travessa da avenida do Cursino, na Vila Água Funda (zona sul)

Segundo a Prefeitura, o dia 1 de agosto da rua é o Dia do Selohomenagem a um hobby cada vez mais raro, a filatelia. Além disso, dia 01/08 também é o aniversário de Piracicaba (de 1767) e Bauru (1896). Vinte anos atrás, em 1993, entrava em vigor a moeda-relâmpago brasileira: o cruzeiro real, que durou só 11 meses.

Em Itaquera, ZL

Em Itaquera, ZL

Mais um batismo sucinto, segundo a Prefeitura. O 5 de agosto dessa ruela de Itaquera, próxima à Jacu-Pêssego, é nada mais, nada menos, que o niver do grande cientista Oswaldo Cruz, nascido em 1872. Além do Oswaldão, também é dia da Tia Celina Nathalia Thimberg (de 1929) e do glorioso futebolista português Amoreirinha (os lusitanos adoram esses nomes, né?)

Quem é ADEVOGADO sabe

Quem é ADEVOGADO sabe…

… que o 11 de agosto (ou melhor, XI de agosto, como eles preferem) nada mais é que o dia do advogado, comemorado a partir da data de fundação dos cursos de Direito no país, em 1827. Naquele dia, Dom Pedro I autorizou a fundação das Arcadas do Largo São Francisco (de onde a rua é bem próxima) e da Faculdade de Direito de Olinda (atual UFPE). Justamente por isso, a ala douchebag dos adevogado (grandes m. que você é adevogado…), dos uspianos aos FMUanos e UNIPanos (futuros paralegais nos escritórios), se acha no direito de comer de graça nos restaurantes nesse dia, usando do seu animus jocandi. É o tal pendura, sobre o qual eles têm até jurisprudênciaveja só.

Na Vila Prudente, ZL.

Na Vila Prudente, ZL.

Uma rua que comemora o dia do economista, 13 de agosto, só pode mesmo ser bem econômica, também: começa na avenida Sapopemba e termina menos de 150 metros depois, sem saída. Num 13/08 também, o mongol Tokhtamysh pôs fogo em Moscou, em 1382. Uns 700 anos depois, em 1946, foi fundada a minha nada querida PUC-SP.

No Jaraguá, zona noroeste

No Jardim Ipanema, bairro do Jaraguá, zona noroeste

Falei até o nome do bairro porque é realmente por causa dele que essa travessa da avenida Aleixos Jafet tem o nome. É que no longínquo dia 21 de agosto de 1983, onde hoje está a rua, foi rezada a primeira missa do Jardim Ipanema, pelo padre Anchieta Alcides Pinto da Silva, segundo a Prefeitura. Enquanto os ipanemenses rezavam, se você tivesse parado numa banca e comprado o Estadão daquele dia, um domingo, teria conhecido o “cróton, um arbusto de fácil cultivo, resistente a doenças e pragas”, no Suplemento Feminino. Já no caderno de Cidades, descobriria que o mistério das 73 mortes de jovens no extremo sul de São Paulo estava prestes a ser desvendado – seria nada mais, nada menos que a descoberta do Cabo Bruno, assassinado em 2012. Também dava para comprar uma verdadeira máquina: o DISMAC D-8001, por apenas 920 mil cruzeiros. Onde? No Mappin, claro!

Isso quase levanta voo: 16 KB de RAM, leitor de K7 e até uma "unidade impressora"

Isso quase levanta voo: 16 KB de RAM, leitor de K7 e até uma “unidade impressora”

Nada como um dia após o outro:

No coração da zona norte, a Vila Dionísia, perto da Parada Pinto

No coração da zona norte, a Vila Dionísia, perto da Parada Pinto, na Cachoeirinha. Repare que a Prefeitura pôs placas novas mas manteve o acento no agôsto (que não é mais usado desde 1971)

A 22 de Agosto, travessa da Parada Pinto, é a maior rua do bairro da Vila Dionísia. E, segundo a Prefeitura, é porque o dia 22/08 é o dia do folclore. Com certeza não tem nada a ver com a anexação da Coreia pelo Japão, em 22/08/1910, que quase extinguiu a cultura (e o folclore) coreano. Talvez seja então por causa do folclórico humorista Ary Toledo, nascido em 22/08/1937, 41 anos antes do sem-graça Oscar Filho (de 1978).

Existe, mas não muito

José Bonifácio, na ZL, a terra do pêssego e do conjunto habitacional Fazenda do Carmo

O Google Maps até hoje não catalogou a avenida 24 de Agosto, mas eu juro que ela existe. Passei por lá quando fui com o fotógrafo preparar esse material para o vereador. O batismo veio junto com outras dezenas, em 2002, quando o conjunto habitacional Fazenda do Carmo foi legalizado. A maioria das ruas acabou ganhando nomes de artistas mortos nos anos 90, como Paulo Gracindo (a maior rua), Luiz Carlos Arutin ou mesmo Renato Russo. Numa cidade com tanta gente irrelevante dando nome à rua, é até um alívio ver pessoas realmente importantes nas vias. Mas não é o caso da avenida 24/08, que não se sabe a razão. Quem sabe não é o suicídio de Getúlio Vargas, em 1954? Numa cidade que se orgulha de 9 de Julho, tudo é possível, né?

 'Nos nao é turco, nos libanes" (Turco Rachid, de Renascer)

‘Nos nao é turco, nos libanes” (Turco Rachid, de Renascer)

Vai vendo.

Na Vila Brasilina, Sacomã

Na Vila Brasilina, Sacomã

Mais uma daquelas ruelas estreitas e sem saída – e sem origem batismo definida. Segundo a Prefeitura, a alusão é para o fato do dia 27 de agosto ser o dia do psicólogo. É que, neste dia, em 1964, a profissão foi legalizada no Brasil. Uns 2400 anos antes, em 551 a.c., nascia o filósofo chinês Confúcio (agora, como eles sabem dessas datas com tanto detalhamento, sei lá…) – exatos 1552 anos antes da gloriosa Sandra de Sá (de 1953).

Tá quase acabando o mês, mas ainda tem coisa:

Elegia de Agosto, na Cangaíba

Elegia de Agosto, na Vila Sílvia, Cangaíba, ZL.

Não errei a imagem: é que a travessa Elegia de Agosto nada mais é que a “rua” deste condomínio da ZL, embora o nome nem ao menos seja utilizado pelos moradores do Zezinho Osti, oficialmente no número 51 da rua Ribeira do PombalElegia é um dos últimos poemas de Manuel Bandeira, escrito em 1961, que você pode ouvir na voz desse fera aqui. Poemas “manuelinos” são uma preferência especial da Prefeitura para dar nome a travessas e vilas de condomínios fechados. É também o caso de Evocação do Recife, nome oficial de uma vilinha na rua Tanabi, em Perdizes.

eVoCaCaUm dU rEsIfIIIII

eVoCaCaUm dU rEsIfIIIII

Já outra existe de verdade:

Perto da 21 de agosto, no Jardim Ipanema

Perto da 21 de agosto, no Jardim Ipanema. Você vê o pico atrás (leia rápido)

E como a 21/08, também é uma travessa da Alexios Jafet. Quebrada define. Já o Soneto de Agosto é obra de Vinícius de Moraes. O ~poetinha~ tem várias obras nomeando ruas paulistanas. Tanto que logo vai merecer um post à parte.

Imortal, posto que é chama

Imortal, posto que é chama

Mas infinita enquanto dura – o que não é o caso dessa travessinha na quebradíssima do Capão Redondo, que não chega a ter 50 metros de extensão, ainda que tenha o nome de rua (isso também é bem comum em SP, rende até outro post).

Mas não agora, claro! Por hoje chega.

Parece mas não é…

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Pede pra sair!

Na manhã de hoje, via o SPTV e mostravam uma perseguição policial na rua Capitão Nascimento, uma travessa da avenida Jaçanã (ZN). Lembrei, então, das ruas que lembram o nome de alguém conhecido – da vida real ou não, como o Capitão – mas são simplesmente homônimos:

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Missão abortada, na verdade: a Prefeitura não sabe dizer quem é o Capitão Nascimento da rua, que existe desde a década de 1960.

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Também conhecido como “Tio Darcí”

Não que ele seja lá muito conhecido atualmente: o ator, conhecido pela sua bela cútis, fez várias novelas na Globo nos anos 80 e 90, como O Dono do Mundo, que foi recentemente reprisada no Viva. Mais recentemente ele andou pela política, como atesta a fotinho abaixo:

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… mas o da rua, no meio da Cidade Ademar (ZS), é outro: “Antônio Grassi, comerciante aposentado, natural de Avaré, Estado de São Paulo. Nasceu em 13 de junho de 1917 e faleceu em 13 de julho de 1980.”

mariocovas

Mas ele não morreu, já?

Você deve estar perguntando o que faz essa rua na Cidade Kemel, extremo da ZL, aqui. Afinal, como todos sabemos, este senhor aqui…Mário_Covas

 

… morreu em 6 de março de 2001. Mas a rua existe desde bem antes disso, ué… Explico: o governador era o Mário Covas JÚNIOR – e o da rua, o “sênior”: Mário Covas, comerciante, nasceu e morou por longos anos em Santos, Estado de São Paulo. Era pai de Mário Covas Jr. que foi prefeito de São Paulo, senador da República e governador do Estado de São Paulo. Faleceu em 25 de maio de 1981, com 79 anos de idade em São Paulo.

Devia ter colocado em preto e branco

Devia ter colocado a foto da placa em preto e branco 

Essa rua do Morumbi pode parecer ter o nome do fotógrafo mundialmente conhecido, mas não tem. Na verdade, como tantos Josés, Sebastiões e Joões, este “Sebastião Salgado” vem do aleatoríssimo…

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… de onde vêm centenas de logradouros paulistanos. Se o cara, lá pelos idos de 1756, assinou algum papel com o nome dele, foi parar aí. Justamente como o Sebás… que “Sebastião Salgado exercia o ofício de carpinteiro em Barbacena, Estado de Minas Gerais, na primeira metade do século XVIII.” Para vocês verem como Deus não Joga Dados e tudo está interligado, a autora do livro acima, a sra. Judith Martins, era a secretária do fundador do IPHAN, aquele do Velho Amor do Drummond, de um dos últimos posts daqui. É o que mostra este artigo acadêmico. E, como boa secretária, ela simplesmente fez. à mão, uma planilha de dados dos artífices, juntando muitas fontes dispersas – que as autoras do artigo, décadas depois, colocaram no Excel!

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Não muito longe da última rua, no Jardim Rosa Maria, no Butantã perto do limite com Taboão da Serra, está o Ernesto Paglia:

Aqui, quando ele reportava o "aniversário de 430 anos de SP", em 1984.

Aqui, quando ele reportava o “aniversário de 430 anos de SP”, em 1984.

… que era um… “Benemérito. Ernesto Paglia nasceu em 1892 e faleceu em 1931.”, com apenas 39 anos. É só isso que diz a Prefeitura. Seria ele avô (ou bisavô) do repórter global?

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Na Fazenda da Juta, uma encruzilhada entre São Paulo, Mauá e Santo André, no extremo da ZL, está a…

não é a Maria Padilha Gonçalves...

não é a Maria Padilha Gonçalves, que estreou na TV em Água Viva (1980), na clássica cena do topless...

muito menos essa aqui, embora a toponímia paulistana seja bem amiga dos cultos afro-brasileiros:

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Maria Padilha é uma das principais entidades da umbanda e do candomblé traz consigo o dom do encantamento de amor é muito procurada pelas pessoas que sofre de paixões não Correspondidas . E suas oferendas são compostas geralmente de cigarros champanhe rosas vermelhas perfumes anéis e gargantilhas batom pentes espelho farofa feita com azeite de dendê suas obrigações são geralmente arriadas nas encruzilhadas de T aceita como sacrifício galinha vermelha cabra e pata preta. Mulheres que trabalham com esta entidade são geralmente belas bonitas atraentes e sensuais são dominadoras e de personalidade muito forte sabem amar como ninguém mas com a mesma facilidade sabem odiar seus parceiros amorosos. Maria Padilha é protetora das prostitutas gosta do luxo e do sexo adora a lua mas odeia o sol suas roupas são geralmente vermelhas e pretas igualmente seus colares e sua coroa suas cantigas são muito alegres e cheias de magia e segredos. E mulher de sete exu rainha dos cabarés e das encruzilhadas. – descrição retirada daqui.

Não: por incrível que pareça, de acordo com a Prefeitura,a Maria Padilha dessa pequena travessa é uma nobre espanhola da Idade Média: “Maria de Padilla, nasceu em 1300, na Espanha. Foi amante, conselheira e, posteriormente, esposa de Dom Pedro I de Castela, exercendo forte influência sobre ele. Foi graças a ela que o jovem rei de 19 anos escolheu governar como um autocrata, ainda que apoiado pelo povo, recebendo a alcunha de Justiceiro. Casaram-se secretamente em Olmedo, embora D. Pedro ainda estivesse casado com sua mulher Branca de Bourbon, pertencente à corte francesa.” Essa aqui:

Gatinha

Gatinha

Ainda no elenco televisivo, temos esse aqui:

A data já explica muita coisa

A data já explica muita coisa

Pois é: é impossível que seja o nosso conhecido:

"Dá uma subidinha"

“Dá uma subidinha”

Mas é alguém bem próximo – e importante num período histórico do país (e depois, num que só é importante aqui em SP). O Capitão Agildo Barata Ribeiro, nome dessa rua do Jaçanã, bem pertinho da Capitão Nascimento, era o pai do humorista da TV – e.. “Já como tenente, participou da revolução de 1930, comandando o 22º Batalhão de caçadores, na Paraíba, fazendo parte da Brigada Juracy Magalhães. Insatisfeito com os resultados da revolução de 1930, veio para São Paulo, sendo um dos organizadores da revolução de 1932, sob o comando do General Isidoro Dias Lopes, participando ativamente da mesma. Faleceu em 19 de dezembro de 1967.”

Não é à toa que o Agildo Barata Ribeiro júnior tinha um programa chamado…

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na antiga TV Manchete.

 

Agora, um teste:

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se você não reconheceu esse nome, é porque não assiste novelas – mais precisamente, as do Manoel Carlos, onde sempre tem um “dr. Moretti”. O Maneco explica que esse era o nome do seu “médico da família” na infância, e por isso sempre o homenageia, inclusive com o papel principal da novela História de Amorde 1995, que recentemente passou no Viva.

lembra de mim?

Era o José Mayer

Mas como a plaquetinha denuncia, o dr. Moretti da vida real, dessa avenida de Pirituba, era engenheiro – e por isso, provavelmente não era o médico do paulistano Maneco.

Por hoje chega. Quando estiver inspirado, eu volto: nem cheguei a esgotar essa listinha🙂 Até!

 

Que rua é hoje? – julho

Bem-vindo a julho, um dos meses mais prolíficos em ruas paulistanas. Vai vendo:

É comemorado também o Dia do Bombeiro.

“É comemorado também o Dia do Bombeiro.”

Se você é esperto, só de saber que a rua 2 de julho está no Ipiranga deve imaginar que tem algo a ver com a independência do Brasil. Afinal, foi lá que o grito foi dado e que de suas margens plácidas o brado retumbante tocou. Pois bem: quase um ano depois do fatídico 7 de setembro de 1822, ainda tinha uma tropa militar lusitana, anti-independência, aportada em Salvador. Pois é: tinha, pois foram expulsos pelo Visconde de Pirajá (cuja rua carioca o fez virar nome de bar paulistano) e o general Labatut (que fica bem próxima à 2 de julho no Ipiranga).

Nascida em quatro de julho

Nascida em quatro de julho

Falando em independência, já vimos tantos filmes falando do 4 de julho americano que não seria nem tão estranho imaginar que a rua de fato homenageasse o Independence Day:

Day

Ô filme ruim

Mas não. Essa ruinha de uma quebrada de Itaquera, na ZL, tem esse nome por uma razão muito mais singela, segundo a Prefeitura: “4 de julho é a data do início do mutirão para colocação e guias na Rua.”. Quer dizer, a rua é nascida em 4 de julho, portanto.

Pela mitologia celta, 5 de julho é o dia de Angus Mac Og, deus da juventude e da beleza

Pela mitologia celta, 5 de julho é o dia de Angus Mac Og, deus da juventude e da beleza

Na Vila Nair, bairro do Ipiranga entre as avenidas Nazaré e Tancredo Neves, fica a 5 de julho. A Prefeitura não sabe explicar sua origem. Como o bairro é mais antigo que o Banco de Nomes e a região gosta de uma raiz histórica para batizar as vias, meu chute é o dia da Revolta dos 18 do Forte de Copacabana, no dia 5 de julho de 1922, uma das primeiras revoltas militares contra a República Velha.  Dois anos depois, no mesmo 5 de julho, começava a Coluna Prestes. 

Conhece essa?

Conhece essa?

Assim como a 23 de maio que você já viu aqui, esta artéria paulistana relembra a ~Revolução constitucionalista de 1932~, iniciada justamente no dia 9 de julho daquele ano. Os jovens paulistanos de classe média alta não gostaram dos resultados da Revolução de 1930que acabou com a República Velha, e queriam desfazê-la na marra. Primeiro a turma saiu do Facebook e #foi para a rua no dia 23 de maio. Daí, no 9 de julho, os militares entraram no meio e o kissuco ferveu de vez. As tropas paulistas, ajudadas por uns perdidos de outros estados, entraram em guerra com as tropas federais. Morreu um monte de gente dos dois lados (quase todos também viraram ruas paulistanas) e os coxinhas não tiraram Getúlio do poder. O máximo que rendeu foi a constituição de 1934, mais abrangente que as anteriores – e que durou só três anos…

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Também tem 9 de julho em Santo Amaro.

julho10

Lá na Cidade Ademar, perto da Cupecê

A História sempre vai rolando e uma data importante pode virar mera página de rodapé no dia seguinte. É o caso do 10 de julho de 1832, quando foi fundado o município de Santo Amaro, cuja área correspondia a quase tudo que você chama de zona sul de São Paulo, e que voltou a ser paulistana em 1935, 102 anos depois. Segundo os arquivos da Prefeitura, a rua 10 de julho ganhou o nome na década de 1940, quando já não valia nada. A lembrança foi sugestão de Plínio Schmidt (ele mesmo já nome de rua faz tempo), funcionário da ex-prefeitura santamarense.

julho14

Lá no Bixiga, meu

Essa rua do Bixiga é em boa parte do seu leito imprensada pelo elevado da Ligação Leste-Oeste. E hoje, é conhecida pelas deliciosas fábricas de pão italiano. Não por acaso, uma das mais antigas é a padaria 14 de Julho, aberta em 1897 – ou seja, quando a rua já tinha esse nome. Fico no chute entre duas datas antigas, que não têm nada a ver entre si mas, sei lá: ou é a Revolução Francesa mesmo, em 1789, ou ainda o singelo aniversário de Campinas, fundada em 14 de julho de 1774. Conhecendo a história paulistana, essa acaba sendo a hipótese mais provável – embora a Prefeitura prefira ir de França, usando um texto colado da Wikipedia no seu Dicionário de Ruas. 

Lembro até do que eu fazia naquele dia

Lembro até do que eu fazia naquele dia

A “aquisição” mais recente desta lista é a praça Memorial 17 de Julho, inaugurada no ano passado. A referência, claro, é ao voo JJ3054 da TAM, que, no dia 17 de julho de 2007, varou a pista do aeroporto de Congonhas e dizimou um terminal de cargas da própria TAM e um posto de gasolina – cuja área hoje corresponde à própria praça. A homenagem às 199 vítimas do acidente até que virou uma praça bem agradável (e vamos torcer para que não comece a ser depredada por uma minoria de vândalos).

Segundo a Prefeitura, o 19 de julho desta rua de Pirituba seria o “dia da Caridade”. Também é a data de nascimento de várias pessoas importantíssimas  (obrigado, Wikipedia), como o tenista romeno Ilie Nastase (de 1946) e a miss Pompeia Ellen Roche (de 1979).

Na Vila Calendário

Na Vila Calendário

Essa travessa da Parada Pinto, na Cachoeirinha (zona norte) faz parte de um bairro cheio de datas. Tem a 10 de maio, a 9 de novembro… E, para cada um deles, a Prefeitura dá uma explicação diferente. Segundo eles, o dia 20 de julho é uma homenagem a Santos Dumont, nascido em 20 de julho de 1873. Além do inventor do avião, outra pessoa importantíssima nasceu num 20/07: nada mais, nada menos que Gracyanne Barbosa, de 1982. 20 de julho também é Dia do Revendedor de Posto de Gasolina (Frentista) – e também Dia do Amigo.❤ !

25 de Julho é comemorado o Dia do Motorista.

25 de Julho é comemorado o Dia do Motorista.

É assim que a Prefeitura explica o nome dessa ruinha do Sacomã, quase na fronteira com São Caetano. Pode ser também a criação do Ministério da Saúde, em 25 de julho de 1953. Ou ainda, o dia do escritorinternacional da mulher negra, do colono, de Santiago de Compostela, etc, etc. Escolha o seu!

julho82

Os mutirão da habitação

Pra fechar, mais uma da linha lutas. Julho de 1982, na mesma região do Capão Redondo onde ficam a Maio e a Junho de 1985, é a data em que a área foi legalizada pela Prefeitura. Justo. E chega! Até o próximo post!