Zona Sul Extreme – parte 1

O nosso extremo sul é tão grande que não vai caber num post só. Também é tão grande que já foi até um município à parte, Santo Amaro. Ainda por cima, faz fronteira com duas cidades do litoral, São Vicente e Itanhaém.

Mas acontece que a esmagadora maioria do que se esconde para baixo das nossas represas, Guarapiranga e Billings, ainda é puro mato. E, felizmente, ainda o será por muito tempo, já que boa parte das regiões de Parelheiros e Marsilac, os distritos mais ao sul da capital, pertence às áreas de proteção ambiental Bororé-Colônia e Capivari-Monos.

Achou estranho? É o potencial turístico do extremo sul paulistano. Ele existe

Achou estranho? É o potencial turístico do extremo sul paulistano. Ele existe

E, como você viu no mapa acima, de quebra, ainda boa parte da área é a própria Serra do Mar – tanto que São Paulo tem até um trecho já no nível do mar, mesmo.

Mas, entre essas áreas, vive muita gente – umas 130 mil pessoas, entre elas aldeias indígenas e uma grande quantidade de fazendas, chácaras e outras coisas que você normalmente não esperaria encontrar em São Paulo.

Um dos caminhos do extremo sul é a Balsa do Bororé, no final da avenida Belmira Marin

Um dos caminhos do extremo sul é a Balsa do Bororé, no final da avenida Belmira Marin

Do outro lado da balsa, acessa-se a Estrada de Itaquaquecetuba, que leva, por sua vez, às avenidas Paulo Guilguer Reimberg (que tem um trecho urbano a partir da avenida Teotônio Vilela) e à Kayo Okamoto, esta sim totalmente rural.

Pela Paulo Guilguer Reimberg também passa o trecho sul do Rodoanel. Ele foi um comerciante que vivia por ali mesmo, morto em 1978.

Uma constante em todo o extremo sul paulistano é encontrar ruas com sobrenomes como “Reimberg”, “Schunck” e “Roschel”. É porque o início do povoamento da região foi feito com a “importação” de alemães, ainda no século 19. A maioria desistiu e voltou para a Alemanha ou para a região Sul do país – mas há descendentes dos que por ali ficaram até hoje, inclusive uma ex minha.

Um irmão do Paulo Guilguer, enterrado no cemitério de Parelheiros

Um irmão do Paulo Guilguer, enterrado no cemitério de Parelheiros

Até a década de 1970, a região não era tão isolada: passava até trem, na continuação da atual linha 9 da CPTM (que hoje termina no Grajaú).

Kayo Okamoto

Kayo Okamoto nasceu em Kochi, no Japão. Não conhecia Sadamu Inoue, mas dizem que eram bem parecidos.

Mas sigamos pela Kayo Okamoto, que era um dos agricultores da região, morto em 1984. Boa parte de seu percurso é de terra batida, de onde se veem apenas animais e roças. Por aqui, a história de que “japonês é tudo igual”, ou melhor, “rua com nome de japonês é tudo igual” também vale.

tadaoinoue

Tadao, o irmão mais low profile de Sadamu, teve uma fazenda que penhorou executada em 1969. Morreu bem antes de Sadamu, já que a rua tem este nome desde a década de 1980.

Uma espécie de paralela da Kayo, a Tadao Inoue, tem paisagens parecidíssimas e uma pavimentação ainda mais terrível. O seu único trecho plano provavalmente é o que passa sobre o Rodoanel Sul, como viaduto. Na Tadao, não é incomum trombar com monges e freiras, que mui devidamente se enclausuram por ali, em microbairros como a Cidade Papai Noel.

Uma ilustre moradora da avenida Kayo Okamoto

Seguindo pela Kayo e pegando a rua Paulino Gottsfritz (sempre que falo “rua”, “avenida”, é bondade minha: raras são as vias asfaltadas entre os bairros, já que hoje o asfalto é proibido por lei), chega-se ao antiquíssimo bairro da Colônia Alemã, fundado pelos pioneiros, que chegaram por ali em 1829.

O bairro da Colônia, com sua igrejinha. De sábado,  tem feira.

O bairro da Colônia, com sua igrejinha. De sábado, tem feira.

Quase do lado, há o bairro da Vargem Grande, com mais de 30 mil habitantes e legalizado há não muito tempo. A particularidade é que ele fica dentro de uma imensa cratera, criada por um impacto de um meteoro há milhões de anos. A área devia ser preservada, mas agora não tem como tirar tanta gente de lá: a solução foi impedir o aumento da população, hoje já estabilizada em cerca de 30 mil habitantes. Lá dentro também há uma penitenciária.

E no entorno das vias semi-rurais, se elas não têm nomes alemães têm nomes do bom e velho Banco:

... do famoso pintor americano, que virou aquele filme com o Ed Harris, nesta rua do bairro da Colônia

… do famoso pintor americano, que virou aquele filme com o Ed Harris, nesta rua do bairro da Colônia…

... até esta travessa da Kayo Okamoto, que ironicamente leva o nome de um fotógrafo famoso por retratar cenas urbanas.

… até esta travessa da Kayo Okamoto, que ironicamente leva o nome de um fotógrafo famoso por retratar cenas urbanas.

Saindo desta região, a Kayo já se tornou a Estrada da Colônia, que, por sua vez, termina no último trecho urbanizado de Parelheiros: a confluência das avenidas Sadamu Inoue (antiga Estrada de Parelheiros) e a velha Estrada Engenheiro Marsilac, que serão tema do próximo post, onde iremos mais ao sul ainda – como se isto fosse possível (e é).

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