A história das placas – parte 2

Em 1978, o prefeito banqueiro Olavo Setúbal baixa o decreto número 14.932, que prosseguiu sua escalada de racionalização dos nomes de vias paulistanos.

Depois de iniciar sua catalogação, rebatizar as vias de nomes duplicados e criar o Banco de Nomes, a vez agora era de padronizar o design das placas de ruas, que passariam a ostentar não só seus nomes mas também:

1. Tipo do logradouro; 2. Nome do logradouro; 3. Numeração do primeiro e do último imóvel da quadra; 4. Número do CEP; 5. Número do CADLOG (Cadastro de Logradouros). Todas num azul bem vivo e em alto-relevo. Várias ainda sobrevivem por aí:

"É o ato de adorar, cultuar uma divindade, idolatrar ou amar excessivamente. É o gosto imoderado por algo. É também o nome do Quadro que representa a veneração dos Reis Magos ao Menino Jesus."

“É o ato de adorar, cultuar uma divindade, idolatrar ou amar excessivamente. É o gosto imoderado por algo. É também o nome do Quadro que representa a veneração dos Reis Magos ao Menino Jesus.”, é o que diz o Dicionário. A rua fica no Bom Retiro.

Em 1979, o decreto 15.635 passou a padronizar a grafia dos nomes dos logradouros, a fim de evitar confusões como Turiassu e Turiaçú, e exigiu que cada placa tivesse, no máximo, 30 caracteres – todos com o mesmo tamanho. Resultado:

Professor Jayme Arcoverde de Albuquerque Cavalcanti, no Parque Continental (zona oeste), deu aula na Medicina da USP. Morreu em 1976.

Professor Jayme Arcoverde de Albuquerque Cavalcanti, no Parque Continental (zona oeste), deu aula na Medicina da USP. Morreu em 1976.

Mas a Prefeitura sempre pisava na bola. As vezes faltava o CODLOG (que é importante só para eles mesmo)…

"Alopatas, são médicos que adotam o sistema de medicina, chamado alopatia. Este nome foi retirado do banco de nomes SEHAB/CASE."

“Alopatas, são médicos que adotam o sistema de medicina, chamado alopatia. Este nome foi retirado do banco de nomes SEHAB/CASE.” – é o que diz o Dicionário sobre a rua do Jabaquara (zona sul), que não poupou vírgulas na definição

… ou o CEP, afinal, quem precisa receber correspondência que descubra o número no correio, né?

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“Natural de São Paulo, Capital, aposentado, faleceu no dia 20 de março de 1985, com 61 anos.”. Mas também, acho que o carteiro nem chega na Accacio, em Parelheiros, sequer asfaltada. A propósito, seu CEP é 04886-070.

Em dezembro de 1988, no apagar das luzes do seu mandato, o prefeito maluco Jânio Quadros, no decreto 27.568, decide, entre outras coisas, que as placas de vias designadas, ou seja, em processo de legalização, passariam a ostentar a cor vermelha ao fundo:

Uma medida Bem Simples, como a música do Roupa Nova que nomeia esta rua de Itaquera.

Uma medida Bem Simples, como a música do Roupa Nova que nomeia esta rua do Itaim Paulista. Na época, nem CEP tinha – hoje é 08132-440. Achei que você quisesse saber.

O decreto também decide que as placas também poderão ser afixadas em equipamentos próprios de sustentação, o que até já existia, mas sem regulamentação, que passou a ser dada. Você também os conhece – e sempre vê um deles torto por aí, abalroado por algum veículo:

Segundo o dicionário de Ruas, Hermann foi "Loteador da área de terras no subdistrito de Tatuapé, Água Raza". Já o professor foi "..."

Segundo o dicionário de Ruas, Hermann foi “Loteador da área de terras no subdistrito de Tatuapé, Água Raza”. Já o professor foi “…”. As ruas ficam mesmo na “Água RaZa” [sic]

Em 1993, no decreto 33.755, seria a vez de criar placas diferenciadas para duas situações. Limites de município, com o brasão da cidade…

Aqui, a divisa de São Paulo com Diadema

Aqui, a divisa de São Paulo com Diadema.

… e as áreas de proteção de manancial, espalhadas pela zona sul, do Jabaquara até Marsilac:

Edith Blin era pintora, morreu em 1983. A rua fica em Marsilac.

Edith Blin era pintora, morreu em 1983. A rua fica em Marsilac, como você deve ter percebido pela sujeira e a vegetação lindeira. Ah, o CEP da rua Edith Blin é outro, viu? Não mande nada para este aí a não ser que você queira que vá para o bairro Macuco, em Santos.

Maluf também decidiu que o tamanho das placas poderia variar de acordo com seus dizeres (ok) e que a fonte deveria ser Helvetica Light – que já era usada, com variações, desde a década de 1970 (e que é a fonte na qual este blog é escrito). Só que ele mesmo tratou de não usá-la:

Isto não é Helvetica. O Conde Moreira Lima também não. Ele era "uma grande figura e filantropo", e morreu em 1926.

Isto não é Helvetica. O Conde Moreira Lima também não. Ele era “uma grande figura e filantropo”, e morreu em 1926. Fica na Cidade Ademar, travessa da Cupecê.

Durante o governo Pitta e seguintes, a Helvetica ficou cada vez mais bold, sendo ainda o visual mais comum de placas, atualmente. Como você com certeza reparou, o CODLOG deixou de ser um componente da placa, também.

A Helvetica realmente é uma fonte bonita, dizem os tipógrafos.

A Helvetica realmente é uma fonte bonita, como esta rua do Tucuruvi. É o que dizem os tipógrafos.

Ainda não acabou! Tem mais uma parte logo, logo.

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