Que de-Lycia!

Uma tarde agradável de inverno pede um pouco de música. Mas claro que, se depender do Banco de Nomes, sempre serão clássicos da lavra de algum artista  caviar: nunca vi, nem ouvi e só (aqui) ouço falarDe um deles, o Henrique “de Curitiba” Morozowiczjá falamos lá atrás. Porém, tem uma outra que deixa o Henricão no chinelo. Essa senhora aqui:

Lycia de Biase Bidart

Lycia de Biase Bidart (1910-1990)

Dona Lycia, que morreu em 1990, foi uma das primeiras mulheres a reger orquestras no Brasil. E, como de costume, não era conhecida nem no seu estado de origem, o Espírito Santo – mas sim lá fora, tanto que só tem verbete na Wikipedia gringa. Pouco antes de morrer, ela doou todas as suas partituras para a biblioteca da Escola de Comunicações e Artes da USP (a ECA), que disponibiliza essa listinha em seu site. Pois bem: essa relação das obras é quase um guia de ruas. Nada menos do que VINTE E SEIS delas nomeiam logradouros paulistanos. Sabe por que eu sei? Porque eu estava lá:

ZzZzZzZzZzZ... uma peça para flauta de 1976, no Aricanduva

ZzZzZzZzZzZ… uma peça para flauta de 1976, no Aricanduva

Uma peça para piano

Uma peça para piano, parte do Estudo Expressionista

Nessa aí de cima o dilema é saber em que município se está, já que fica numa quebrada nervosa na fronteira do Capão Redondo com Embu das Artes.

Você não está vendo, mas tem um cavalinho branco nessa foto

Você não está vendo, mas tem um cavalinho branco nessa foto

Pois bem: Cavalinho Branco é o nome dessa travessa da avenida Marechal Tito, no Itaim Paulista – na verdade, um poema de Cecília Meireles musicado pela Lycia.

Não duvido que achem que essa pinguela é uma homenagem a uma moça chamada BruNa

Não duvido que achem que essa pinguela é uma homenagem a uma moça chamada BruNa

Mas não: essa passagenzinha no Parque Edu Chaves (zona norte) é a Música da Bruma, um estudo delycioso sobre a obra de Claude Debussy.

Pequenas ruas, grandes momentos

Pequenas ruas, grandes momentos

Sabe aquelas vilinhas de casas que você ainda vê nas partes mais antigas da cidade? Onde tem portão na entrada, porteiro, etc? Pois bem: a maioria tem nomes, ainda que às vezes nem os moradores os usem, já que a entrada da vila é sempre na outra rua. No caso, a Afonso Celso, na Vila Mariana, que abriga a vila, ou melhor, a pequena travessa do Grande Momento, que de dia também serve de estacionamento para as firma da região.

Mar, que mar?

Mar, que mar?

Todos os limites de São Paulo com os Embus são marcados por obras de Lycia. Essa aqui fica no Jardim Oriental, em Parelheiros, do qual já falei por aqui, do ladinho de Embu-Guaçu. Aliás, nem os moradores do bairro (que nem calçamento tem) sabem bem se estão em São Paulo ou em Embu-Guaçu. Lá ainda tem outra peça rara delyciosa:

O nome combina bem com o matagal que é o bairro

O nome combina bem com o matagal que é o bairro.

Parece que uns meses atrás o Alckmin andou desapropriando a rua inteira para a Sabesp usar. Veremos. A Ventos e Ramagens também é um lugar propício para ser cativeiro de sequestro. Lá também mora a Caroline Silva dos Santos, que sonha que o Gugu refome seu barraco

Até que faz algum jus ao nome

Até que faz algum jus ao nome

A Prefeitura ainda inventa um nome inteiro só para encaixar a obra. Na verdade, se chama apenas “Duas Flores”. Vai ver o “canto” se refere mesmo ao tamanho da travessa…

Aê irmão, na quebrada nóis num tem tempo pra pensá nesses rolê aí não

“Aê irmão, na quebrada nóis num tem tempo pra pensá nesses rolê aí não”

Pois é, no Conjunto Habitacional Sítio Conceição, mais um extremo/quebrada da cidade (na ZL, quase em Ferraz de Vasconcelos) e mais uma peça da nossa compositora homenageada. 

Chega por hoje!

 

 

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