Que rua é hoje? – abril

E não é que chegamos no mês de abril? E como já se tornou tradição, é hora de “comemorar” as ruas do mês:

É verdade! A travessa fica no Morro da Esperança, quebrada da Cachoeirinha (zona norte).

É verdade! A travessa fica no Morro da Esperança, quebrada da Cachoeirinha (zona norte).

A Prefeitura não sabe explicar porque a travessa tem o nome do tradicional dia da mentira, que tem origem controversa. Uns dizem que surgiu na França, em 1564, quando o atual calendário gregoriano foi adotado. Daí quem ainda usava o calendário antigo, com o ano começando em abril, era sacaneado sem dó. No Brasil, o registro mais antigo de zueiras de primeiro de abril foi em 1828, quando um jornal apócrifo divulgou a morte de D. Pedro I, que só aconteceria anos depois. Embora hoje a gente nem leve tão a sério essa “tradição”, lá fora amam. Diversos jornais e sites divulgam notícias absurdas, que volta e meia os brasileiros desavisados compram. Vide o clássico boimateque seria uma “fusão de células de boi com células de tomate, perfeita para a produção de bifes à parmegiana”, que a revista Veja divulgou com gosto em 1983. Por muito tempo foi uma das maiores gafes da imprensa brasileira, só superado por um jornalista (precocemente falecido) que enforcou Jesus. Bom, mas voltando ao tema original, é bem possível que a travessa tenha esse nome por causa da data de oficialização do loteamento, o que é comum em várias quebradas da cidade.

Uma das mais antigas ruas de São Paulo, no centro, nem sempre teve esse nome

Uma das mais antigas ruas de São Paulo, no centro, nem sempre teve esse nome

A origem da Sete de Abril remonta ao longínquo final do século 18, quando o governador Conde de Sarzedas (que hoje dá nome a “25 de março dos crentes”), mandou botar calçamento e melhorar o acesso à todas as ruas de São Paulo (que então se resumia apenas ao atual centro). Entre as obras, estava uma pequena ponte sobre o Anhangabaú, mais ou menos onde está a atual Ladeira da Memória. A continuação da ponte, no lado antigo, ganhou o nome de estrada para a Cidade Nova, embora o povão preferisse chamá-la de Rua da Palha, já que o telhado das casas era feito desse material. No século 19, segundo os alfarrábios paulistanos, essas casinhas abrigavam as repúblicas onde viviam os estudantes da faculdade de Direito, não muito distante. Em maio de 1831, um vereador sugeriu que alguma rua passasse a ter o nome de Sete de Abril, em homenagem a abdicação de D. Pedro I, no mês anterior. Mas ele queria dar esse nome à então rua do Rosário (atual 15 de Novembro). Já que não deu, o nome foi parar na pontezinha sobre o rio. Anos depois, em 1865, era a vez do Largo dos Curros ganhar o nome de Sete de Abril. Só em 1873 que a nomenclatura passaria à então Palha, que afinal, já levava ao velho Curros – que nada mais é que a atual Praça da República.

Você não vê direito mas é a 13 de Abril, no Capão Redondo, zona sul.

Você não vê direito mas é a 13 de Abril, no Capão Redondo, zona sul.

Para compensar a verborragia das duas ruas anteriores, da 13 de Abril, no Capão Redondo, não tem muito o que falar. A Prefeitura só diz “pesquisa em andamento”. Muito provavelmente também tem a ver com a legalização do loteamento em que se encontra, já que é paralela com a rua “Consciência Popular” e faz esquina com a “Pró-Moradia Zona Sul”. De quebra, termina na “União dos Movimentos”, esquina com a “Unidos Venceremos”. Além disso, 13 de abril também é aniversário do ex-jogador de futebol Beto Fuscão (de 1950), e dia “do hino nacional brasileiro”, dia “da carta régia”, dos jovens” e, de quebra, é o ano-novo tailandês. Para eles, no próximo dia 13 chegaremos ao ano 2551.

Para a Prefeitura, 14 de abril é o "dia pan-americano". A rua está na Cidade Ademar.

Para a Prefeitura, 14 de abril é o “dia pan-americano”. A rua está na Cidade Ademar.

Segundo a Wikipedia, é verdade: 14 de abril é mesmo o “dia pan-americano”, seja lá o que isso for. Além disso, é “dia mundial do café” e aniversário de Catanduva, a capital nacional dos ventiladores. Além disso, no dia 14 de abril de 1977, nasceram pessoas muito importantes para nossa vida, como os jogadores de futebol Erjon Bogdani (o maior jogador albanês de todos os tempos!!!), Cristiano Zanetti, Mugurel Buga, além da eterna Buffy Sarah Michelle Gellar (obrigado, Wikipedia).

Sim, é uma homenagem a Tiradentes. Como vocês perceberam? A rua, quase não preciso dizer, fica no Bom Retiro.

Sim, é uma homenagem a Tiradentes. Como vocês perceberam? A rua, quase não preciso dizer, fica no Bom Retiro.

Além de “comemorarmos” o nosso mártir Tiradentes, enforcado em 21 de abril de 1792, cuja história é bem mais controversa do que aprendemos na escola, o dia também tem outras efemérides importantes. Uma delas é a estreia do Jornal Hoje, em 1971, mesmo dia em que empacotava o temível Papa Doc, ditador haitiano. Em 1985, seria a vez de outro “””mártir””” brasileiro morrer: Tancredo Neves (embora haja quem diga que ele já estava morto ao “posar” com os médicos nesta foto, tirada dias antes)…

Aqui, como dizem os PMs, "sem novidade". Também é, obviamente, uma alusão ao dia do "descobrimento" do Brasil

Aqui, como dizem os PMs, “sem novidade”. Também é, obviamente, uma alusão ao dia do “descobrimento” do Brasil. A rua está em Itaquera, zona leste – e o nome foi dado pelo Bancoque ainda não tinha dado as caras por aqui.

Naquele dia de 1500, Pedro Álvaro Escabral, como uma vez escreveu uma colega de escola décadas atrás, avistou o Monte Pascoal, na Terra de Santa Cruz. Nem queria chegar aqui: a ideia era achar as tais Índias. Além disso, o 22 de Abril é “niver” dos atores Jack Nicholson (de 1937), Sérgio Mamberti (de 1939), além de ser o dia da grande mãe babilônica Ishtar

A primeira missa do Brasil é lembrada até hoje, nesta rua da Penha (ZL).

A primeira missa do Brasil é lembrada até hoje, nesta rua da Penha (ZL).

Quatro dias depois do Pedrão ter pisado aqui, o frei Henrique de Coimbra pegou sua batina e fez o que mais sabia fazer: rezou uma missa, a primeira em solo brasileiro. Legal, né? Só para a turma dos lusitanos, porque certamente ainda não tinha dado tempo de estuprar, escravizar, matar, digo, converter os índios que por aqui estavam. 465 anos depois, outra data importante para o Brasil, boa para alguns e ruim para outros: a inauguração da Rede Globo (na Argentina, conhecida como Red O’Globo”, como se houvesse alguma ascendência irlandesa entre os Marinhos).

Flor de Abril é uma árvore, na verdade - e a rua está na Cachoeirinha, zona norte.

Só no “bananão” acontecem essas coisas: Flor de Abril é uma árvore,! A rua está na Cachoeirinha, zona norte.

Além das datas em si (a prefeitura também acusa as ruas 9 e 29 de Abril, que, no entanto, não aparecem em mapa algum), este mês também batiza as mais diversas coisas: de editora até bairro, como o Jardim d’Abril, que se divide entre São Paulo e Osasco – embora a maior parte esteja nesta última. A Flor de Abril (também conhecida por Maçã-de-elefante), por sua vez, é mais um dos milhares de batismos botânicos dados pelo Banco de Nomes – predominantemente na Zona Leste (falarei disso mais adiante).

Bartolomeu Abril era um pintor espanhol do século XVI, conhecido como "El Barto", no Tatuapé (ZL).

Bartolomeu Abril era um pintor espanhol do século XVI, conhecido como “El Barto“, no Tatuapé (ZL).

Pelo irrelevante currículo (e época antiga), você percebeu que é um nome do Banco. Já outras pessoas “d’Abril” sequer têm biografia, como Domitilia e Serafina (em São Miguel), e o casal Vitantônio e Maria Teresinha (na Cidade Ademar). Muito provavelmente eram loteadores dos bairros, já que as duas duplas estão bem perto. Para fechar, ainda tem o mais antigo de todos, também obra do Banco: 

Fica lá no Jardim Irene, terra do Cafu

Fica lá no Jardim Irene, zona sul – a terra do Cafu

O tal Abril , na verdade Dom Abril Peres de Lumiares, segundo este link, era neto bastardo do rei lusitano Dom Afonso Henriques, e um dos principais inimigos de outro rei, Dom Sancho III. Abril queria porque queria, lá para 1200 e pouquinho, tomar para si o atual concelho (algo como um distrito, em Portugal) de Touça. Ele até conseguiu mas acabou morrendo em 1242. Daí, uns 736 anos depois, seu nome saiu das trevas do esquecimento para virar o nome de uma rua paulistana. Claro, culpa do Banco de Nomes.

Chega, né? Semana que vem volto com outro assunto.

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