Que rua é hoje? – novembro

Nem dá para acreditar, mas o ano entra na sua penúltima fase, os panetones já estão à venda e as tenebrosas decorações de natal já soltas por aí. E, claro, as ruas de novembro (que nem são muitas):

No meio do Jabaquara.

No meio do Jabaquara.

Como todo mundo sabe, não é por outro motivo senão o dia de finados. E a ideia dele cair no dia 2 de novembro, para variar, vem da Igreja Católica. A ICAR, oficialmente, chama o dia de finados de “dia dos fiéis defuntos“. Alguns fieis defuntos famosos deste dia são o cineasta Pasolini, barbaramente assassinado por um michê em 2 de novembro de 1975, mesmo destino que teve o colega holandês Theo Van Gogh em 2004, vitimado por um fanático islâmico.

Uma travessa da Luís Dumont Villares, no Tucuruvi, zona norte.

Uma travessa da Luís Dumont Villares, no Tucuruvi, zona norte.

Já a 7 de novembro “homenageia” a primeira lei que tentava proibir o tráfico de escravos no Brasil, assinada pelo regente Feijó em 7 de novembro de 1831. A verdade é que essa lei era, literalmente, só para inglês ver, já que o nosso Império devia até as calças para os “parceiros” britânicos, que exigiam o fim do tráfico (e da escravidão). O “intercâmbio escravocrata” seria realmente proibido em 1850, com a Eusébio de Queirós, como explica este artigo aqui. Num mesmo dia 7 de novembro, mas de 1910, os irmãos Wright levantaram voo pela primeira vez – e os americanos juram que eles (e só eles) foram os primeiros.

No Jabaquara

No Jabaquara.

Esta aprazível ruinha sem saída alude ao dia do urbanismocomemorado em 8 de novembro. A data foi instituída em 1949 pela então recém-criada ONU, e teria “o objectivo de promover a consciência, a sustentação, a promoção e a integração entre a comunidade e o Urbanismo“, segundo a Wikipedia. Em um 8 de novembro, também, foram descobertos os raios Xpelo físico alemão Wilhelm Roentgen, em 1895. Já num dia 8/11 de 1975, seria lançado o quarto disco do Led Zeppelin. Que bom.

Zona norte.

Travessa da avenida Parada Pinto, na Cachoeirinha, zona norte.

A rua 9 de novembro faz parte de uma certa “vila calendário”, já que suas vizinhas figuraram em quase todos os posts anteriores desta série. E, como todas as outras, não carrega uma explicação do seu batismo, a não ser o fato de ter sido pela lei 6350, promulgada em 18/06/1963. Então, pode ser que a rua homenageie a criação da Brazil Railway Company, em 1917, ou ainda o golpe do 18 Brumário de Napoleão Bonaparte, em 1799. Ou, talvez, o niver da atriz Eva Todor, nascida em 1919.

No centro, claro.

No centro, claro.

É evidente que você sabe que o dia 15 de novembro não é outro senão o dia da Proclamação da República, em 1889, homenagem compartilhada com pelo menos 394 outras ruas do país, segundo este levantamento. É o quadragésimo nome mais comum (o primeiro é “dois”, com 1534 ocorrências). Mas a rua do Centro, famosa pelos bancos, é bem mais antiga que a República. Surgiu ainda na época da fundação da cidade, no século 16, quando servia de ligação entre o Pátio do Colégio e o Largo de São Bento (aliás, ainda serve, rsrrsrsrs). No século seguinte, passou a ser a Rua do Rosário, aludindo à Igreja (cuja última reconstrução foi feita em 1906, no Largo do Paissandu). Na época, também era conhecida como Rua do Manuel Paes Linhares, justamente porque era nela que o bandeirante Manuel Paes Linhares morava, ora pois. No século 19, passou a ser a Rua da Imperatriz, que, como o Império, foi enxotada com a República. Como boa cidade, a então Santo Amaro também tinha sua XV de novembro. E ela, assim como tantas outras, ganhou um nominho pra lá de chinfrim no final da década de 70, com o advento do Banco de Nomes, passando a homenagear uma escola literária, veja só. É a…

Pois é.

Pois é.

Dias depois…

Na quebrada do Conjunto da Paz, no Itaim Paulista (ZL).

Na quebrada do Conjunto da Paz, no Itaim Paulista (ZL).

Como é feriado, você sabe que o 20 de novembro é o dia da consciência negra, em memória à morte do famoso Zumbi dos Palmares, em 1695. Não tem erro. Aliás, a própria consciência também tem rua:

No outro extremo, no Capão Redondo, ZS.

No outro extremo, no Capão Redondo, ZS.

Calma, ainda tem mais… mas depois atualizo 🙂

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Que rua é hoje? – julho

Bem-vindo a julho, um dos meses mais prolíficos em ruas paulistanas. Vai vendo:

É comemorado também o Dia do Bombeiro.

“É comemorado também o Dia do Bombeiro.”

Se você é esperto, só de saber que a rua 2 de julho está no Ipiranga deve imaginar que tem algo a ver com a independência do Brasil. Afinal, foi lá que o grito foi dado e que de suas margens plácidas o brado retumbante tocou. Pois bem: quase um ano depois do fatídico 7 de setembro de 1822, ainda tinha uma tropa militar lusitana, anti-independência, aportada em Salvador. Pois é: tinha, pois foram expulsos pelo Visconde de Pirajá (cuja rua carioca o fez virar nome de bar paulistano) e o general Labatut (que fica bem próxima à 2 de julho no Ipiranga).

Nascida em quatro de julho

Nascida em quatro de julho

Falando em independência, já vimos tantos filmes falando do 4 de julho americano que não seria nem tão estranho imaginar que a rua de fato homenageasse o Independence Day:

Day

Ô filme ruim

Mas não. Essa ruinha de uma quebrada de Itaquera, na ZL, tem esse nome por uma razão muito mais singela, segundo a Prefeitura: “4 de julho é a data do início do mutirão para colocação e guias na Rua.”. Quer dizer, a rua é nascida em 4 de julho, portanto.

Pela mitologia celta, 5 de julho é o dia de Angus Mac Og, deus da juventude e da beleza

Pela mitologia celta, 5 de julho é o dia de Angus Mac Og, deus da juventude e da beleza

Na Vila Nair, bairro do Ipiranga entre as avenidas Nazaré e Tancredo Neves, fica a 5 de julho. A Prefeitura não sabe explicar sua origem. Como o bairro é mais antigo que o Banco de Nomes e a região gosta de uma raiz histórica para batizar as vias, meu chute é o dia da Revolta dos 18 do Forte de Copacabana, no dia 5 de julho de 1922, uma das primeiras revoltas militares contra a República Velha.  Dois anos depois, no mesmo 5 de julho, começava a Coluna Prestes. 

Conhece essa?

Conhece essa?

Assim como a 23 de maio que você já viu aqui, esta artéria paulistana relembra a ~Revolução constitucionalista de 1932~, iniciada justamente no dia 9 de julho daquele ano. Os jovens paulistanos de classe média alta não gostaram dos resultados da Revolução de 1930que acabou com a República Velha, e queriam desfazê-la na marra. Primeiro a turma saiu do Facebook e #foi para a rua no dia 23 de maio. Daí, no 9 de julho, os militares entraram no meio e o kissuco ferveu de vez. As tropas paulistas, ajudadas por uns perdidos de outros estados, entraram em guerra com as tropas federais. Morreu um monte de gente dos dois lados (quase todos também viraram ruas paulistanas) e os coxinhas não tiraram Getúlio do poder. O máximo que rendeu foi a constituição de 1934, mais abrangente que as anteriores – e que durou só três anos…

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Também tem 9 de julho em Santo Amaro.

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Lá na Cidade Ademar, perto da Cupecê

A História sempre vai rolando e uma data importante pode virar mera página de rodapé no dia seguinte. É o caso do 10 de julho de 1832, quando foi fundado o município de Santo Amaro, cuja área correspondia a quase tudo que você chama de zona sul de São Paulo, e que voltou a ser paulistana em 1935, 102 anos depois. Segundo os arquivos da Prefeitura, a rua 10 de julho ganhou o nome na década de 1940, quando já não valia nada. A lembrança foi sugestão de Plínio Schmidt (ele mesmo já nome de rua faz tempo), funcionário da ex-prefeitura santamarense.

julho14

Lá no Bixiga, meu

Essa rua do Bixiga é em boa parte do seu leito imprensada pelo elevado da Ligação Leste-Oeste. E hoje, é conhecida pelas deliciosas fábricas de pão italiano. Não por acaso, uma das mais antigas é a padaria 14 de Julho, aberta em 1897 – ou seja, quando a rua já tinha esse nome. Fico no chute entre duas datas antigas, que não têm nada a ver entre si mas, sei lá: ou é a Revolução Francesa mesmo, em 1789, ou ainda o singelo aniversário de Campinas, fundada em 14 de julho de 1774. Conhecendo a história paulistana, essa acaba sendo a hipótese mais provável – embora a Prefeitura prefira ir de França, usando um texto colado da Wikipedia no seu Dicionário de Ruas. 

Lembro até do que eu fazia naquele dia

Lembro até do que eu fazia naquele dia

A “aquisição” mais recente desta lista é a praça Memorial 17 de Julho, inaugurada no ano passado. A referência, claro, é ao voo JJ3054 da TAM, que, no dia 17 de julho de 2007, varou a pista do aeroporto de Congonhas e dizimou um terminal de cargas da própria TAM e um posto de gasolina – cuja área hoje corresponde à própria praça. A homenagem às 199 vítimas do acidente até que virou uma praça bem agradável (e vamos torcer para que não comece a ser depredada por uma minoria de vândalos).

Segundo a Prefeitura, o 19 de julho desta rua de Pirituba seria o “dia da Caridade”. Também é a data de nascimento de várias pessoas importantíssimas  (obrigado, Wikipedia), como o tenista romeno Ilie Nastase (de 1946) e a miss Pompeia Ellen Roche (de 1979).

Na Vila Calendário

Na Vila Calendário

Essa travessa da Parada Pinto, na Cachoeirinha (zona norte) faz parte de um bairro cheio de datas. Tem a 10 de maio, a 9 de novembro… E, para cada um deles, a Prefeitura dá uma explicação diferente. Segundo eles, o dia 20 de julho é uma homenagem a Santos Dumont, nascido em 20 de julho de 1873. Além do inventor do avião, outra pessoa importantíssima nasceu num 20/07: nada mais, nada menos que Gracyanne Barbosa, de 1982. 20 de julho também é Dia do Revendedor de Posto de Gasolina (Frentista) – e também Dia do Amigo. ❤ !

25 de Julho é comemorado o Dia do Motorista.

25 de Julho é comemorado o Dia do Motorista.

É assim que a Prefeitura explica o nome dessa ruinha do Sacomã, quase na fronteira com São Caetano. Pode ser também a criação do Ministério da Saúde, em 25 de julho de 1953. Ou ainda, o dia do escritorinternacional da mulher negra, do colono, de Santiago de Compostela, etc, etc. Escolha o seu!

julho82

Os mutirão da habitação

Pra fechar, mais uma da linha lutas. Julho de 1982, na mesma região do Capão Redondo onde ficam a Maio e a Junho de 1985, é a data em que a área foi legalizada pela Prefeitura. Justo. E chega! Até o próximo post!

Que ruas estranhas são essas, afinal?

Olá! Talvez você tenha chegado aqui a partir da notinha de hoje (22/05) no Divirta-se do Estadão, não é?

Charanga do circo é uma peça musical do maestro Yves Schimidt, que ainda vive. A placa é um pouco diferente porque a Charanga fica exatamente no limite com Osasco.

Charanga do circo é uma peça musical do maestro Yves Schmidt, ainda vivo e que você pode conhecer aqui. A placa é um pouco diferente porque a Charanga fica exatamente no limite com Osasco, e segue o padrão de lá.

E, no mínimo, deve achar que eu inventei coisas absurdas para impressionar o Edison Veiga, que me entrevistou, não é mesmo? Antes fosse… se der uma olhadinha, de leve, nos posts mais antigos, vai dar para ter uma ideia disso.

Do mesmo autor de Borboletas Psicodélicas, mais um grande sucesso

Do mesmo autor de Borboletas Psicodélicas, mais um grande sucesso, que você ouve aqui. É uma travessa da avenida Sapopemba ainda na altura do jardim Anália Franco – ou seja, bem no começo dela.

No último post, que escrevi em 2012 e “reprisei” nesta semana, você já conheceu um pouquinho sobre o nosso eterno Henrique de Curitiba, tão querido pelo Banco de Nomes da Prefeitura.

Que banco de nomes é esse, afinal?

Onde será que vendem chácaras no Itaim Bibi? Tem alguma coisa errada...

Onde será que vendem chácaras no Itaim Bibi? Tem alguma coisa errada… Ouça aqui, enquanto descobre que a rua está nos confins de Parelheiros.

Para você que chegou agora, o Banco de Nomes é uma maravilhosa máquina aleatória de batismo de ruas criada pela Prefeitura paulistana no final da década de 1970. O objetivo do então prefeito Olavo Setúbal era nobre: havia milhares de ruas com nomes manjados e super-repetidos (“Dom Pedro”, “7 de setembro”, “São Paulo”, “A”, “1”, “2”…) e outras, simplesmente, sem nome algum. Ainda que os vereadores adorem dar nomes de pessoas para as ruas, nem o mais criativo daria conta de tantas ruas, não é?

Para resolver esse problema, ficou a cargo do então professor da FAU-USP Benedito Lima de Toledo organizar uma equipe de pesquisadores que vasculhou enciclopédias, dicionários e tudo mais que havia pela frente, para criar o tal Banco de Nomes. Só que a impressão que dá é que… bem… eles simplesmente juntaram nomes, sem nenhum critério. O segredo é esse: as ruas de São Paulo não seguem NENHUM CRITÉRIO de batismo (ainda que a ideia original do arquiteto fosse a de criar “manchas urbanas” com algum tema). Foi bom para mim, que pude criar esse blog quase 40 anos depois. E para a maioria das pessoas, também. Afinal, não tem nada de mais morar na…

ou na…

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Domingos Dantas foi um pedreiro que viveu na Minas Colonial no século XVIII, segundo a prefeitura. A rua fica no Jd. d’Abril, zona oeste.

 

ou ainda na…

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Daniel Cerri: militar argentino, nasceu em 1841 e faleceu em 1914; lutou na Guerra do Paraguai e foi o primeiro governador dos Andes; Francisco Margal :político e escritor catalão, autor de “Recuerdos” e “Belezas de España”.Período 1.813 à 1.824.; As ruas ficam na Brasilândia;

ou…

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O Gustavo Paiva da rua não é uma pessoa, mas sim uma estação de trem, em Alagoas! A rua está no Campo Limpo (ZO).

ou ainda, simplesmente, pessoas que morreram de alguma forma.

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Vladimir Sinkus trabalhava na Miller Conway & Cia Ltda (comissária de despachos) como auxiliar de escritório, brasileiro natural de São Paulo, com 17 anos de idade, estudante. Morreu por afogamento como laudo do I. M. L. , em Guarulhos no dia 24 de outubro de 1982. A rua fica em São Miguel, ZL.

A Prefeitura é tão doida que homenageou pessoas historicamente ligadas a um certo lugar da cidade… em outro, bem longe. É o caso dele:

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Pedro Vitor Massote era um líder comunitário da Vila Maria, na zona norte, e foi parar no Parque dos Príncipes, quase em Osasco.

São, afinal, nomes de pessoas e lugares quaisquer, ainda que pela descrição você possa notar que têm algo em comum. Afinal, que importância para a memória paulistana tem um político argentino (!) de 200 anos atrás, um pedreiro da época da Xica da Silva, do qual só se sabe o nome ou algo que nem nome de pessoa é, embora dê a entender que seja? Você deve ter a mesma opinião que eu: nenhuma. 

Não saberia de nada disso sem a ajuda do Dicionário de Ruas da Prefeitura, que digitalizou as fichinhas do Banco de Nomes e “entregou” a fonte. Nesses casos como os acima, são, simplesmente, listagens aleatórias de nomes que eles foram jogando a esmo sobre os mapas. Seria como se, daqui a alguns séculos, alguém pegasse uma lista de aprovados no vestibular, por exemplo, e desse como resolvido o batismo das vias de algum novo loteamento.

Só que eles não fazem os moradores passar vergonha ao dar o endereço…

Isso já não acontece quando você foi “sorteado” para viver nas ruas em que a Prefeitura resolveu usar alguma das outras categorias do Banco de Nomes, que fazem nossa alegria. Eles não deixaram quase nada de fora, já que usaram todos os critérios possíveis:

– dicionário de línguas indígenas: Falei isso na matéria, e foi um dos poucos lugares onde a ideia de “manchas urbanas temáticas” vingou: a esmagadora maioria está na Penha, abordando a anatomia tupi:

opia_figadopiquinhu_joelho  puquixa_unha sarambé_esquecido

Não seja sarambé (esquecido): opiá é fígado; piquinhú, joelhoe puquixá, unha !

– músicas e instrumentos: a preferência inicial foram as obras eruditas, para dar aquele toque de classe à malha viária. A preferência, claro, foi para as obras mais obscuras. Alguns compositores – que você provavelmente não conhece – são campeões: o seu já conhecido Henrique de Curitiba, Yves Schimidt (da Serenata à Brasileira que citei acima) e a capixaba Lycia Bidart, com mais de 20 vias – falei dela aqui. Alguns nomes, vamos combinar, são bonitos:

É uma peça para piano do padre paranaense José Penalva, composta em 1955. Se você estiver à toa e puxar a lista de músicas dele aqui, vai achar pelo menos 10 delas no mapa. Esta rua está no Sítio Conceição, um conjunto habitacional de Guaianazes (ZL)

É uma peça para piano do padre paranaense José Penalva, composta em 1955. Se você estiver à toa e puxar a lista de músicas dele aqui, vai achar pelo menos 10 delas no mapa. Esta rua está no Sítio Conceição, um conjunto habitacional de Guaianazes (ZL)

mas outros, nem tanto…

Não são três lotes vazios que ficam nessa rua de terra no Jardim Oriental, em Parelheiros, mas "três espaços para viola e piano", do maestro Claudio Santoro, composta em 1966: espaços delimitados, espaços interpostos e espaços infinitos. Os Infinitos têm até sua rua própria, no outro extremo da cidade, lá no Itaim Paulista (por onde o street view não passou)

Não são três lotes vazios que ficam nessa rua de terra no Jardim Oriental, em Parelheiros, mas “três espaços para viola e piano”, do maestro Claudio Santoro, composta em 1966: espaços delimitados, espaços interpostos e espaços infinitos. Os Infinitos têm até sua rua própria, no outro extremo da cidade, lá no Itaim Paulista (por onde o street view não passou

e de quem será que foi a ideia de usar os instrumentos, hein?

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No M’Boi Mirim, mais precisamente no Jardim Santa Zélia.

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No mesmo bairro, a rua do Pirofone, um tipo de órgão tocado com FOGO! Todas as ruas do Jardim Santa Zélia têm esses nomes estranhos e musicais

Calma que a gente ainda nem começou direito. Mais para o final dos anos 1980, graças aos moradores de um único bairro, o Jardim da Conquista, na ZL,  já abordado no blog. A Prefeitura deu a eles o direito de escolher o nome de suas ruas – e, simplesmente, eles passaram na loja de discos mais próxima. E o que sobrou das sugestões, a Prefeitura foi espalhando pelos outros bairros. Tem sertanejo…

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Quando eu digo que deixei de te amar / É porque eu te amo / Quando eu digo que não quero mais você / É porque eu te quero… o clássico de Chitãozinho e Xororó fica no Jardim da Conquista.

 

Raul Seixas, então, é o rei das ruas paulistanas. Essas duas são apenas parte de uma longa série:

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Essa rua tem o início, o fim e o meio… 

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Tanto a Gita quanto a Novo Aeon ficam no conjunto Águia de Haia, perto da avenida de mesmo nome em Itaquera.

E ainda sobra para Rita Lee:

"O ano inteiro eu passei sem dinheiro, eu sei, e foi um corre-corre danado..." é do disco Mania de Você, de 1979. Fica também em Itaquera.

“O ano inteiro eu passei sem dinheiro, eu sei, e foi um corre-corre danado…” é do disco Mania de Você, de 1979. Fica também em Itaquera.

Ou ainda Chico Buarque:

 

… sem falar nos artistas mais regionais, como Elomar e Xangai:

literatura também marca presença. Dos clássicos:

O Homem de La Mancha fica no Jardim São Jorge, no Butantã.

O Homem de La Mancha fica no Jardim São Jorge, no Butantã.

… até outros nomes de livros e poemas que precisam de alguma explicação:

entrevista_poema_drummond

Na Vila Alabama (!), um bairro do Itaim Paulista (ZL). É um poema de Carlos Drummond de Andrade, acreditem

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No Capão Redondo, de tudo ao meu amor serei atento, e sempre, e tanto, imortal posto que é chama mas que seja infinito enquanto dure

 

Esses são bonitinhos. Mas imagina o que é morar aqui:

sextilhasdefreiantao

É um poema do Gonçalves Dias (o mesmo da Canção do Exílio). Fica na Vila Gustavo (ZN)

ou ainda:

dobucolismo

Um “clássico” do Brás. Tem quem diga que foi uma homenagem ao “bucolismo” do bairro, mas não é. A rua tinha outro nome, e ganhou o do estilo literário porque o antigo era repetido.

navioperdido_augustofrederico

É um livro de poemas, de Augusto Frederico Schmidt. Se quiser, pode comprar uma edicão autografada aqui. A ruinha está lá no meio da Cidade Ademar.

cinema e as outras artes também marcam presença. Seja homenageando artistas obscuros (a maioria do tempo do cinema mudo):

Erik Satie (Honfleur, 17 de Maio de 1866 — Paris, 1 de Julho de 1925) foi um compositor e pianista francês.1 Relevante no cenário de vanguarda parisiense do começo do século XX, foi o precursor de movimentos artísticos como minimalismo, música repetitiva e teatro do absurdo.

Erik Satie (Honfleur, 17 de Maio de 1866 — Paris, 1 de Julho de 1925) foi um compositor e pianista francês.1 Relevante no cenário de vanguarda parisiense do começo do século XX, foi o precursor de movimentos artísticos como minimalismo, música repetitiva e teatro do absurdo. A rua está no Capão Redondo.

ou filmes:

Não é uma rua que é muito rigorosa, muito severa… é o primeiro filme falado de Portugal! Você sabia ?!?!?!?

Não é uma rua que é muito rigorosa, muito severa… é o primeiro filme falado de Portugal! Você sabia ?!?!?!?

Saindo das “artes”, a bizarrice só piora. Por exemplo, elementos químicos:

docobre

Na Cidade Tiradentes. Só não dá para abreviar o nome da rua…

francio

Em São Rafael, na ZL também.

 

… e os reinos! Do mineral…

quartzo

No Tremembé, perto da av. Parada Pinto

ao vegetal…

alpiste

Na Cidade Líder, ZL

e o animal…

ROLACABOCLA

Não é o nome de nenhum filme pornô, não… é só uma das aves mais comuns do mundo. Fica no Iguatemi, ZL.

São apenas ALGUMAS das categorias. O resto você pode ir vendo no arquivo, enquanto apronto mais coisas. Bem-vindos!